domingo, 3 de agosto de 2014

Músicas fora do eixo Estados Unidos x Inglaterra



Faz um tempo que eu venho querendo fazer alguma coisa relacionada à música e, como não nasci com talento e gosto muito de música, resolvi fazer um blog sobre essa forma de arte que me agrada tanto. Antes de começar é necessário dizer que não sou um grande conhecedor de teoria musical, nem me considero um “music nerd”, por isso se você se interessar pelos textos, esteja avisado. Ah e só mais uma informação: Só porque o blog é de música não quer dizer que não vai rolar textos sobre outras coisas, porque é assim que eu quero que ele funcione, um projeto bem caótico no maior estilo “pão com durex”. A missão aqui é tentar passar o que eu gosto pra frente, pois musica boa deve ser compartilhada!
Comecemos agora os trabalhos com o tema “Músicas fora do eixo Estados Unidos x Inglaterra”, um tema que é pertinente pois esses dois países são os maiores focos quando se discute música de qualidade e também porque escutar bandas de outros países é uma excelente forma de conhecer um pouco mais sobre a cultura daquele país. Seguem as bandas:

Sígur Rós- Islândia
Essa banda realmente me fascina, foi por causa deles que eu tentei aprender até um pouco de islandês por alguns dias, e eu ainda sei contar até dez na língua viking!
A banda possui uma sonoridade única, sendo uma das primeiras a tocar o gênero conhecido como “pós-rock”. As músicas são bastante etéreas e intangíveis, algumas vezes são instrumentais, outras são na língua nativa da banda e tem até músicas feitas em uma linguagem que foi criada pelo vocalista (isso mesmo!) chamada Vonlenska (algo como esperances). Embora o ultimo álbum da banda tenha algumas músicas mais tristes, a banda faz um estilo mais “vamos curtir um passeio pela natureza” e certamente ouvindo algumas músicas você irá se sentir em um bosque no meio do nada sem sair de seu quarto!
Ainda espero o dia que eles venham tocar no Brasil para que eu possa mostrar pra eles que eu até tentei aprender islandês pra conhecer mais sobre seu país!
Difícil escolher uma canção apenas dessa maravilhosa banda e compartilhar com vocês, mas vou arriscar e escolher “Hoppipola” porque ela define bem o que a banda é.


Iceage- Dinamarca
Se a banda de cima é uma banda alegre e dançante, o Iceage é o oposto. O grupo dinamarquês tem uma pegada mais pós-punk, à la Joy division mesmo. Sério da pra sentir o frio vindo das caixas de som quando esses caras tocam. Recomendo ouvir essas músicas fumando um charuto, bebendo um uísque enquanto assiste um prédio de dez andares pegar fogo. Brincadeira (mas se um dia acontecer já sabe o que ouvir),

A banda já lançou dois discos e a gravação deles faz com que o som pesado da banda fique mais interessante, eu não sei explicar exatamente o que acontece mas dando uma escutada provavelmente vocês vão ver do que eu estou falando... ou não.
A canção “Morals” é uma ótima pedida!


Mutantes- Brasil-sil-sil
O que dizer dessa banda que conheço a pouco tempo mas já considero pacas? Caramba, Os mutantes é uma das bandas mais geniais que já existiu nessa terra tupiniquim. Você que tem um pai roqueiro ou um tio maconheiro provavelmente já ouviu falar da banda, mas se você não conhece recomendo fortemente. Junto com Gilberto Gil e Caetando Veloso, os então jovens Sérgio Dias, Arnaldo Baptista e Rita Lee criaram um rock psicodélico nunca visto por aqui, já que na época o mais comum era musica com violão e piano. Trazendo a guitarra elétrica e distorções feitas com pedais inventados por eles mesmos a banda foi além da música brasileira, ficando conhecida no cenário mundial. Muitos afirmam que o primeiro álbum da banda se compara à músicas feitas pelos Beatles e pelo Syd Barret.
“Panis et circenses” que é uma música bem famosa e inclusive marca o início do movimento tropicália tem os arranjos feitos por Rogério Duprá, um compositor brasileiro de música clássica. Vemos no Mutantes uma colaboração conjunta de várias partes do universo musical nacional para criar algo novo e brilhante! E detalhe, tudo isso foi criado durante a ditadura militar, um período não muito alegre para o Brasil, mas muito florescente para a música nacional, mas isso é assunto pra outro texto.
The Hives- Suécia
A Suécia é mais conhecida por ter mulheres bonitas e ser a terra natal do ABBA. Mas em 1994 um grupo de amigos resolveu fazer algo diferente e assim surgiu o The Hives. A banda tem uma pegada rock de garagem e o que chama mais atenção nela é o carisma dos integrantes e a animação que eles tem ao vivo. Certamente se você for em algum show deles saberá do que eu estou falando, uma dica: não esqueça de levar roupas confortáveis e seus sapatos de dança porque não da pra ficar parado com o som deles!
Lembro que a primeira musica que ouvi deles foi “Hate to say I told you so”, lá com os meus 8 de idade. Quando eu ouvi aquele primeiro riff, não sabia o que sentia direito, mas gostava daquela sensação que a banda trazia para os meus ouvidos. Muito tempo se passou e a banda continua arrebentando! Inclusive eles vão abrir o show o Arctic Monkeys por aqui no brasil, corre lá que da tempo de comprar seu ingresso!


Pescado Rabioso- Argentina.
Nossos “Hermanos” argentinos não são bons apenas em alfajores e churrasco. Eles também tem rock and roll. A banda Pescado Rabioso não perde pra nada para as bandas gringas. Com uma pegada bem blues e folk de deixar o Bob Dylan com inveja a banda chama atenção e mostra que não é só tango que temos na terra portenha.
Uma curiosidade é que o álbum “Artaud” foi gravado quase todo pelo vocalista, Carlos Alberto Spineta, e é considerado um dos melhores álbuns argentinos já criados. Poisé pessoal, não é só o Dave Grohl que consegue fazer álbuns sozinhos.
Segue uma musica desse disco maravilhoso:


Tame Impala, Jagwar ma e a cena australiana de rock psicodélico.
A australia já exportou para o mundo muitas bandas famosas, como AC/DC, The Vines e Midnight oil. E com a nova geração não seria diferente, só que o interessante é que no país está surgindo uma cena psicodélica muito interessante. Tame Impala, banda da cidade de Perth, que é cheia de parques e bosques, faz um som psicodélico mais revival, com músicas extremamente trabalhadas e cheias de efeitos saídos diretamente do Woodstock; já o Jagwar ma, que é uma banda que fica na metrópole Sydney já tem uma proposta mais eletrônica, talvez justamente por ser de uma cidade maior,com uma espécie de “acid house” que lembra muito as bandas da cena de Madchester.
Embora tenham sonoridades semelhantes as bandas estão em cidades bem distantes,  cidades essas que possuem características que, certamente influenciam as suas músicas, mesmo assim as bandas conseguem se comunicar musicalmente muito bem. Existem muitas outras bandas nessa cena fértil da Austrália, mas por agora, fique com essas duas:


 
Stromae- Bélgica
Quem nunca ouviu, e até tentou cantar, aquela música chiclete “Alors on danse”? Poisé, a música é em francês, mas é de um belga que tem várias outras músicas chicletes em seu repertório. O rapaz já foi rapper, mas hoje em dia adota um estilo mais pop, com um apelo maior ao público.
Com visuais muito bacanas e letras irônicas, o belga aborda vários assuntos polêmicos, como relacionamentos problemáticos e a ausências dos pais na criação dos filhos. Ouça uma outra música ai e veja o que você acha!


Buena Vista Social Club- Cuba
Cuba é bem famosa historicamente por causa da Revolução Cubana de 1956. Mas antes desse fato histórico, poucas pessoas sabem como se vivia no país. Na sociedade cubana pré-revolução havia bastante discriminação racial. Clubes sociais espalhados por toda a cidade, só eram frequentados por sua comunidade, fosse ela de negros ou de brancos, forasteiros não eram bem vindos.
 Foi em um desses clubes sociais que vários músicos virtuosos se encontravam para tocar, sem muita pretensão, nos anos 40 e 50. O clube fechou, mas o som dos caras fez bastante sucesso e no final dos anos 90 o diretor alemão Wim Wenders resolveu fazer uma gravação sobre o famoso “Clube social da vista bela” e seus músicos habilidosos. O documentário também virou um cd e a banda passou a se apresentar mundialmente.
Se você gosta de música latina e de história, esse álbum icônico é, definitivamente, uma boa pedida.

Nenhum comentário:

Postar um comentário