Ah o Rio
Grande do Sul! Um dos estados mais frios e mais "europeizados" do
Brasil é muito bonito e, geralmente, saem boas bandas de lá, mas não é só o Rio
Grande do Sul que pode ser frio.
O país todo
pode parecer frio quando se olha o cotidiano: a correria, a solidão, a vida
dividida entre o final de semana e as semanas de trabalho que parecem não
terminar.
É aí que o
Apanhador Só entra com esse belíssimo cd, "Antes que tu conte outra".
Com letras que abordam o cotidiano do "cidadão mediano" do Brasil e,
por que não do mundo, com todas as suas angustias, os gaúchos mostram um som
bem autêntico e bem diferente das ultimas bandas famosas que saíram de sua terra.
As letras são
bem simples, mas é na simplicidade das letras que dá para perceber complexidade
do cotidiano. Não que só haja desespero no disco, ele tem seus momentos de
felicidade ."Vita, Ian e Cassales" é quase um cafuné bem feito na
cabeça bem antes de dormir, mas a ameaça de perder o controle esta sempre por
perto, "Despirocar" e "Lá em casa ta pegando fogo" vem logo
depois do "Tudo fica grave" que termina a canção tranquila. Essas
duas são quase o oposto da outra, enquanto aquela é um cafuné, estas mais parecem
um tapa na sua orelha.
É nessa
alternância meio-amarga do disco que os rapazes mostram um som bem maduro e
cheio de novidade em um disco que te sacode e te acalma tantas vezes quanto um
dia corrido.
A falta de
papas na língua também contribui para esse disco, que mais parece uma obra
Barroca. A canção "Liquido Preto" já começa com um sonoro "Pau
no cu", mas a melodia dela é algo mais comum no mpb, onde não é muito
normal esse palavreado, nem falar de coca-cola, mas se até Caetano já esta
dizendo que "A bossa nova é foda", quem sou eu para falar de musica
popular brasileira.
Mais pro fim
ele vai ficando mais tranquilo, com baladas românticas, ou seriam
pseudoromanticas(?), já que o rapaz da canção "Torcicolo" não vê a
hora de dar no pé feito um calhorda. Na verdade, até nos melhores
relacionamentos tem aquela parte chata, onde você está mais com vontade de cair
fora mesmo, só em contos de fadas que existe o "viveram felizes para
sempre". O amor pode ser também muito bom e, ao mesmo tempo um pé no saco.
"Cartão
postal" é quase uma ode à vida em Porto Alegre, onde a banda foi fundada
em 2005. Tudo muito bonito, mas "olhando aqui de perto tudo é tão
normal", mostrando que até a beleza da capital pode passar despercebida pra
quem está com muita coisa na cabeça.
O dia-a-dia
não sai das letras, nem da ideia do disco, sei que ja estou insistindo com esse
ponto mas realmente é o que esta mais claro no álbum todo e foi isso que fez
arrepiar o braco quando eu estava ouvindo ele: da pra se identificar com ele.
Infelizmente,
quando fui ao Lollapalooza deste ano, eu estava preocupado demais com o Pixies,
Savages e Nine Inch Nails que não deu vontade de conhecer esta banda gaúcha que
não chama muita atenção a primeira vista. eh tipo aquele cara magrelo que
ficá-la no canto da festa tomando uma cerveja, mas que quando você vai la
perguntar pra ele "e ai cara qual é o peixe que tu ta vendendo, qual eh o
cheiro das tuas ideias" e ai ele(ou ela, é só um exemplo) te conquista. Na
próxima oportunidade que puder, certeza que irei no show deles.
São discos
como esse que fazem com que a gente tenha alegria de viver, e também de viver a
nossa vida do jeitinho que ela eh e deve ser, mas o que mesmo eu sei né? Ouve la
e me fala o que você acha!
Final
de ano chegando, e com ele várias listas. Sejam elas de metas para 2015 ou de
eventos marcantes de 2014, elas entopem a internet. Eu mesmo, que achava que
sabia alguma coisa de música to agarrado tentando ouvir os 50 melhores discos
nacionais e internacionais de vários sites. Mesmo assim fiz uma listinha com
cinco dos discos favoritos de 2014, ela tá bem humilde, mas é que minha
playlist é meio caótica e eu ainda estava escutando os melhores discos de 2013
e mais outras coisas que me deram vontade.
Mas
segue a listinha humilde, mas de coração!
5-
Convoque seu Buda- Criolo
Nunca
tinha escutado o Criolo cantar. Quero dizer, lógico q já tinha ouvido “Não existe
amor em SP” e tinha até gostado, o que eu quero dizer é que eu nunca tinha
ESCUTADO o Criolo cantar. Letras que abordam o cotidiano brasileiro de todas as
formas possíveis, do reggae ao MPB, o cara faz um som muito bacana que faz até
quem não curte rap, estilo “original” do cantor, parar para dar uma conferida
no som do cara. Outro motivo pra ouvir o novo disco é sua disponibilização de
graça na internet pra quem quiser baixar, no maior estilo Radiohead.
Se
o objetivo do cantor foi expandir seu público e seus horizontes, certamente ele
foi bem sucedido.
4- Fuck off get free we pour light on everything- Thee
Silver Mount Zion.
Este
álbum lançado no início do ano já mostrou que 2014 prometia, pelo menos pra quem
curte rock experimental. Com músicas que misturam violinos, vocais com uma
pitada de punk e letras que mais parecem mantras, a banda realmente faz um
disco que chama atenção, no mínimo, por ser diferente (coisa que o “escritor”
aqui gosta muito!).
Se
você curte Mogwai e Sigur rós, precisa escutar esse grupo canadense.
3-
Cores e Valores- Racionais MCs
Com
a minha ida para Belo Horizonte, comecei a aprender a como a vida na cidade
grande era complicada, mas longe de ser uma coisa negativa, foi necessária para
meu amadurecimento. Um grupo que me mostrou que a vida pode ser feia e bonita
ao mesmo tempo foi o Racionais. Comecei a escutar esse ano, com o clássico “Sobrevivendo
no inferno” que por mais que tenha sido feito em 1997, o disco ainda trazia
assuntos contemporâneos e ainda me trouxe de volta um pouco da fé em Deus que,
a algum tempo, estava me escapando. Longe de ser apenas “som para maloqueiro”,percebi que esse grupo era uma instituição
consolidada da música nacional. Descobri então que os caras iriam lançar um
disco, após 12 anos sem produzirem músicas inéditas e fiquei empolgado.
Nunca fui um amante e conhecedor de música
tupiniquim, mas nunca um disco nacional havia me feito tão ansioso.
Já
estava em meu celular um dia depois de seu lançamento e todas as minhas
expectativas foram atendidas e até superadas, já que os manos incrementaram novos
elementos para o som deles consolidando ainda mais a sua instituição musical. Se
isso fosse uma lista de melhores discos nacionais, o Racionais estaria em
primeiro, mas já que meu conhecimento de música brasileira não é tão grande,
fica assim mesmo.
2- To be Kind- Swans
Como
já havia falado, sons experimentais e estranhos são a minha praia. Acho que
devia ser a praia de todo mundo mas não é assim que as coisas são, não pelo
menos antes deste disco do Swans.
Com um álbum extremamente experimental, com
músicas extensas e INTENSAS, o grupo americano conseguiu permanecer duas
semanas nas paradas da Billboard e detalhe, sem sequer tentar fazer um som mais
“palpável” ao resto do público, e eu me incluo nesse resto do público, pois
demorei boa parte do ano para conseguir digerir esse disco maravilhoso.
Quando
finalmente consegui, já era fim do ano e já estava na hora de fazer a lista de
melhores discos de 2014!
1-Plowing
into a field of love- Iceage
Não
tinha como não colocar esse disco em primeiro, um disco cheio de tudo que eu
gosto: carregado de sentimentos, experimentalismo e de músicas bem feitas. Ele
não é um disco que vai agradar a todos, pelo menos não a primeira vista, mas
quem gosta de pós-punk ou pelo menos parar para escutar as letras das músicas
desses rapazes dinamarqueses vai perceber que é um disco muito bonito.
Quero
que o pós-punk , que atualmente é pouco explorado, continue voltando e tomando
a cena de assalto! Bandas como esta e Savages mostram que o estilo não morreu e
ainda pode evoluir muito mais.
Para muitos o rock and roll, a cada dia que passa morre mais
um pouco. Com a música feita em computadores tomando o lugar dos riffs de
guitarra é realmente difícil encontrar alguma banda que consiga se destacar por
tocar um rock puro e simples.
Mas a banda Twin Peaks vem mostrando que ainda existem
bandas que, não só podem tocar um rock and roll envolvente sem usar
computadores, mas também fazem isso com um estilo absurdo.
A banda de Chicago já vinha fazendo alguns singles e tocando
com a banda conterrânea The Orwells. Eles lançaram seu segundo álbum “Wild
Onion” a alguns dias, e eu confesso que já estava bem ansioso pra ver como
ficaria. Minha expectativa foi correspondida na medida certa! Músicas com muita
energia e com letras que falam sobre a santíssima trindade do gênero, “sexo,
drogas e rock and roll” o segundo álbum da banda, que acabou de sair do ensino médio, e
largaram a faculdade para dedicarem-se inteiramente à musica, me lembra muito
os primeiros álbuns do Strokes e do Arctic Monkeys, bandas que hoje em dia são
aclamadas por terem “salvado o rock and roll”, mas que, atualmente tem lançado
músicas que não convencem toda a sua massa de fãs. Talvez seja a maturidade, ou
talvez seja a tentativa frustrada de mudar a sonoridade da banda, vai saber.
Voltando à nova banda, as músicas que já saíram como
propaganda para o disco, “Flavor” e “Strawberry Smoothie” mostram a proposta da
banda, ou a falta dela, já que eles são todos jovens que estudaram na mesma
escola e só querem se divertir bastante. É esse jeito moleque (hahahaha) que
encanta quem vê os rapazes tocando.
Realmente, o rock and roll estava precisando de bandas com
esse espírito “Do it yourself” despretensioso da banda de Chicago. Só espero
que eles continuem produzindo sons de qualidade, para continuarem salvando o
rock por mais tempo.
Faz um tempo
que eu venho querendo fazer alguma coisa relacionada à música e, como não nasci
com talento e gosto muito de música, resolvi fazer um blog sobre essa forma de
arte que me agrada tanto. Antes de começar é necessário dizer que não sou um
grande conhecedor de teoria musical, nem me considero um “music nerd”, por isso
se você se interessar pelos textos, esteja avisado. Ah e só mais uma
informação: Só porque o blog é de música não quer dizer que não vai rolar
textos sobre outras coisas, porque é assim que eu quero que ele funcione, um
projeto bem caótico no maior estilo “pão com durex”. A missão aqui é tentar
passar o que eu gosto pra frente, pois musica boa deve ser compartilhada!
Comecemos
agora os trabalhos com o tema “Músicas
fora do eixo Estados Unidos x Inglaterra”, um tema que é pertinente pois
esses dois países são os maiores focos quando se discute música de qualidade e
também porque escutar bandas de outros países é uma excelente forma de conhecer
um pouco mais sobre a cultura daquele país. Seguem as bandas:
Sígur Rós- Islândia
Essa banda
realmente me fascina, foi por causa deles que eu tentei aprender até um pouco
de islandês por alguns dias, e eu ainda sei contar até dez na língua viking!
A banda
possui uma sonoridade única, sendo uma das primeiras a tocar o gênero conhecido
como “pós-rock”. As músicas são bastante etéreas e intangíveis, algumas vezes
são instrumentais, outras são na língua nativa da banda e tem até músicas
feitas em uma linguagem que foi criada pelo vocalista (isso mesmo!) chamada
Vonlenska (algo como esperances). Embora o ultimo álbum da banda tenha algumas
músicas mais tristes, a banda faz um estilo mais “vamos curtir um passeio pela
natureza” e certamente ouvindo algumas músicas você irá se sentir em um bosque
no meio do nada sem sair de seu quarto!
Ainda espero
o dia que eles venham tocar no Brasil para que eu possa mostrar pra eles que eu
até tentei aprender islandês pra conhecer mais sobre seu país!
Difícil
escolher uma canção apenas dessa maravilhosa banda e compartilhar com vocês,
mas vou arriscar e escolher “Hoppipola” porque ela define bem o que a banda é.
Iceage- Dinamarca
Se a banda de
cima é uma banda alegre e dançante, o Iceage é o oposto. O grupo dinamarquês
tem uma pegada mais pós-punk, à la Joy division mesmo. Sério da pra sentir o
frio vindo das caixas de som quando esses caras tocam. Recomendo ouvir essas
músicas fumando um charuto, bebendo um uísque enquanto assiste um prédio de dez
andares pegar fogo. Brincadeira (mas se um dia acontecer já sabe o que ouvir),
A banda já
lançou dois discos e a gravação deles faz com que o som pesado da banda fique
mais interessante, eu não sei explicar exatamente o que acontece mas dando uma
escutada provavelmente vocês vão ver do que eu estou falando... ou não.
A canção “Morals”
é uma ótima pedida!
Mutantes- Brasil-sil-sil
O que dizer
dessa banda que conheço a pouco tempo mas já considero pacas? Caramba, Os
mutantes é uma das bandas mais geniais que já existiu nessa terra tupiniquim.
Você que tem um pai roqueiro ou um tio maconheiro provavelmente já ouviu falar
da banda, mas se você não conhece recomendo fortemente. Junto com Gilberto Gil
e Caetando Veloso, os então jovens Sérgio Dias, Arnaldo Baptista e Rita Lee
criaram um rock psicodélico nunca visto por aqui, já que na época o mais comum
era musica com violão e piano. Trazendo a guitarra elétrica e distorções feitas
com pedais inventados por eles mesmos a banda foi além da música brasileira,
ficando conhecida no cenário mundial. Muitos afirmam que o primeiro álbum da
banda se compara à músicas feitas pelos Beatles e pelo Syd Barret.
“Panis et circenses”
que é uma música bem famosa e inclusive marca o início do movimento tropicália
tem os arranjos feitos por Rogério Duprá, um compositor brasileiro de música
clássica. Vemos no Mutantes uma colaboração conjunta de várias partes do
universo musical nacional para criar algo novo e brilhante! E detalhe, tudo
isso foi criado durante a ditadura militar, um período não muito alegre para o
Brasil, mas muito florescente para a música nacional, mas isso é assunto pra
outro texto.
The Hives- Suécia
A Suécia é
mais conhecida por ter mulheres bonitas e ser a terra natal do ABBA. Mas em
1994 um grupo de amigos resolveu fazer algo diferente e assim surgiu o The Hives.
A banda tem uma pegada rock de garagem e o que chama mais atenção nela é o
carisma dos integrantes e a animação que eles tem ao vivo. Certamente se você
for em algum show deles saberá do que eu estou falando, uma dica: não esqueça
de levar roupas confortáveis e seus sapatos de dança porque não da pra ficar
parado com o som deles!
Lembro que a
primeira musica que ouvi deles foi “Hate to say I told you so”, lá com os meus
8 de idade. Quando eu ouvi aquele primeiro riff, não sabia o que sentia direito,
mas gostava daquela sensação que a banda trazia para os meus ouvidos. Muito
tempo se passou e a banda continua arrebentando! Inclusive eles vão abrir o
show o Arctic Monkeys por aqui no brasil, corre lá que da tempo de comprar seu
ingresso!
Pescado Rabioso- Argentina.
Nossos “Hermanos”
argentinos não são bons apenas em alfajores e churrasco. Eles também tem rock
and roll. A banda Pescado Rabioso não perde pra nada para as bandas gringas.
Com uma pegada bem blues e folk de deixar o Bob Dylan com inveja a banda chama
atenção e mostra que não é só tango que temos na terra portenha.
Uma
curiosidade é que o álbum “Artaud” foi gravado quase todo pelo vocalista,
Carlos Alberto Spineta, e é considerado um dos melhores álbuns argentinos já
criados. Poisé pessoal, não é só o Dave Grohl que consegue fazer álbuns
sozinhos.
Segue uma
musica desse disco maravilhoso:
Tame Impala, Jagwar ma e a cena
australiana de rock psicodélico.
A australia
já exportou para o mundo muitas bandas famosas, como AC/DC, The Vines e
Midnight oil. E com a nova geração não seria diferente, só que o interessante é
que no país está surgindo uma cena psicodélica muito interessante. Tame Impala,
banda da cidade de Perth, que é cheia de parques e bosques, faz um som
psicodélico mais revival, com músicas extremamente trabalhadas e cheias de
efeitos saídos diretamente do Woodstock; já o Jagwar ma, que é uma banda que
fica na metrópole Sydney já tem uma proposta mais eletrônica, talvez justamente
por ser de uma cidade maior,com uma espécie de “acid house” que lembra muito as
bandas da cena de Madchester.
Embora tenham
sonoridades semelhantes as bandas estão em cidades bem distantes, cidades essas que possuem características que,
certamente influenciam as suas músicas, mesmo assim as bandas conseguem se
comunicar musicalmente muito bem. Existem muitas outras bandas nessa cena
fértil da Austrália, mas por agora, fique com essas duas:
Stromae- Bélgica
Quem nunca
ouviu, e até tentou cantar, aquela música chiclete “Alors on danse”? Poisé, a
música é em francês, mas é de um belga que tem várias outras músicas chicletes
em seu repertório. O rapaz já foi rapper, mas hoje em dia adota um estilo mais
pop, com um apelo maior ao público.
Com visuais
muito bacanas e letras irônicas, o belga aborda vários assuntos polêmicos, como
relacionamentos problemáticos e a ausências dos pais na criação dos filhos.
Ouça uma outra música ai e veja o que você acha!
Buena Vista Social Club- Cuba
Cuba é bem
famosa historicamente por causa da Revolução Cubana de 1956. Mas antes desse
fato histórico, poucas pessoas sabem como se vivia no país. Na sociedade cubana
pré-revolução havia bastante discriminação racial. Clubes sociais espalhados
por toda a cidade, só eram frequentados por sua comunidade, fosse ela de negros
ou de brancos, forasteiros não eram bem vindos.
Foi em um desses clubes sociais que vários músicos
virtuosos se encontravam para tocar, sem muita pretensão, nos anos 40 e 50. O clube fechou, mas o
som dos caras fez bastante sucesso e no final dos anos 90 o diretor alemão Wim
Wenders resolveu fazer uma gravação sobre o famoso “Clube social da vista bela”
e seus músicos habilidosos. O documentário também virou um cd e a banda passou
a se apresentar mundialmente.
Se você gosta
de música latina e de história, esse álbum icônico é, definitivamente, uma boa
pedida.