terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Apanhador Só- Antes que tu conte outra

Ah o Rio Grande do Sul! Um dos estados mais frios e mais "europeizados" do Brasil é muito bonito e, geralmente, saem boas bandas de lá, mas não é só o Rio Grande do Sul que pode ser frio.

O país todo pode parecer frio quando se olha o cotidiano: a correria, a solidão, a vida dividida entre o final de semana e as semanas de trabalho que parecem não terminar.

É aí que o Apanhador Só entra com esse belíssimo cd, "Antes que tu conte outra". Com letras que abordam o cotidiano do "cidadão mediano" do Brasil e, por que não do mundo, com todas as suas angustias, os gaúchos mostram um som bem autêntico e bem diferente das ultimas bandas famosas que saíram de sua terra.

As letras são bem simples, mas é na simplicidade das letras que dá para perceber complexidade do cotidiano. Não que só haja desespero no disco, ele tem seus momentos de felicidade ."Vita, Ian e Cassales" é quase um cafuné bem feito na cabeça bem antes de dormir, mas a ameaça de perder o controle esta sempre por perto, "Despirocar" e "Lá em casa ta pegando fogo" vem logo depois do "Tudo fica grave" que termina a canção tranquila. Essas duas são quase o oposto da outra, enquanto aquela é um cafuné, estas mais parecem um tapa na sua orelha.

É nessa alternância meio-amarga do disco que os rapazes mostram um som bem maduro e cheio de novidade em um disco que te sacode e te acalma tantas vezes quanto um dia corrido.

A falta de papas na língua também contribui para esse disco, que mais parece uma obra Barroca. A canção "Liquido Preto" já começa com um sonoro "Pau no cu", mas a melodia dela é algo mais comum no mpb, onde não é muito normal esse palavreado, nem falar de coca-cola, mas se até Caetano já esta dizendo que "A bossa nova é foda", quem sou eu para falar de musica popular brasileira.

Mais pro fim ele vai ficando mais tranquilo, com baladas românticas, ou seriam pseudoromanticas(?), já que o rapaz da canção "Torcicolo" não vê a hora de dar no pé feito um calhorda. Na verdade, até nos melhores relacionamentos tem aquela parte chata, onde você está mais com vontade de cair fora mesmo, só em contos de fadas que existe o "viveram felizes para sempre". O amor pode ser também muito bom e, ao mesmo tempo um pé no saco.

"Cartão postal" é quase uma ode à vida em Porto Alegre, onde a banda foi fundada em 2005. Tudo muito bonito, mas "olhando aqui de perto tudo é tão normal", mostrando que até a beleza da capital pode passar despercebida pra quem está com muita coisa na cabeça.

O dia-a-dia não sai das letras, nem da ideia do disco, sei que ja estou insistindo com esse ponto mas realmente é o que esta mais claro no álbum todo e foi isso que fez arrepiar o braco quando eu estava ouvindo ele: da pra se identificar com ele.
Infelizmente, quando fui ao Lollapalooza deste ano, eu estava preocupado demais com o Pixies, Savages e Nine Inch Nails que não deu vontade de conhecer esta banda gaúcha que não chama muita atenção a primeira vista. eh tipo aquele cara magrelo que ficá-la no canto da festa tomando uma cerveja, mas que quando você vai la perguntar pra ele "e ai cara qual é o peixe que tu ta vendendo, qual eh o cheiro das tuas ideias" e ai ele(ou ela, é só um exemplo) te conquista. Na próxima oportunidade que puder, certeza que irei no show deles.

São discos como esse que fazem com que a gente tenha alegria de viver, e também de viver a nossa vida do jeitinho que ela eh e deve ser, mas o que mesmo eu sei né? Ouve la e me fala o que você acha!
      


quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Top 5 Natalino!



Final de ano chegando, e com ele várias listas. Sejam elas de metas para 2015 ou de eventos marcantes de 2014, elas entopem a internet. Eu mesmo, que achava que sabia alguma coisa de música to agarrado tentando ouvir os 50 melhores discos nacionais e internacionais de vários sites. Mesmo assim fiz uma listinha com cinco dos discos favoritos de 2014, ela tá bem humilde, mas é que minha playlist é meio caótica e eu ainda estava escutando os melhores discos de 2013 e mais outras coisas que me deram vontade.

Mas segue a listinha humilde, mas de coração!

5- Convoque seu Buda- Criolo


Nunca tinha escutado o Criolo cantar. Quero dizer, lógico q já tinha ouvido “Não existe amor em SP” e tinha até gostado, o que eu quero dizer é que eu nunca tinha ESCUTADO o Criolo cantar. Letras que abordam o cotidiano brasileiro de todas as formas possíveis, do reggae ao MPB, o cara faz um som muito bacana que faz até quem não curte rap, estilo “original” do cantor, parar para dar uma conferida no som do cara. Outro motivo pra ouvir o novo disco é sua disponibilização de graça na internet pra quem quiser baixar, no maior estilo Radiohead. 

Se o objetivo do cantor foi expandir seu público e seus horizontes, certamente ele foi bem sucedido.

4- Fuck off get free we pour light on everything- Thee Silver Mount Zion.
Este álbum lançado no início do ano já mostrou que 2014 prometia, pelo menos pra quem curte rock experimental. Com músicas que misturam violinos, vocais com uma pitada de punk e letras que mais parecem mantras, a banda realmente faz um disco que chama atenção, no mínimo, por ser diferente (coisa que o “escritor” aqui  gosta muito!). 

Se você curte Mogwai e Sigur rós, precisa escutar esse grupo canadense. 



3- Cores e Valores- Racionais MCs

Com a minha ida para Belo Horizonte, comecei a aprender a como a vida na cidade grande era complicada, mas longe de ser uma coisa negativa, foi necessária para meu amadurecimento. Um grupo que me mostrou que a vida pode ser feia e bonita ao mesmo tempo foi o Racionais. Comecei a escutar esse ano, com o clássico “Sobrevivendo no inferno” que por mais que tenha sido feito em 1997, o disco ainda trazia assuntos contemporâneos e ainda me trouxe de volta um pouco da fé em Deus que, a algum tempo, estava me escapando. Longe de ser apenas “som para maloqueiro”,  percebi que esse grupo era uma instituição consolidada da música nacional. Descobri então que os caras iriam lançar um disco, após 12 anos sem produzirem músicas inéditas e fiquei empolgado.

 Nunca fui um amante e conhecedor de música tupiniquim, mas nunca um disco nacional havia me feito tão ansioso.  

Já estava em meu celular um dia depois de seu lançamento e todas as minhas expectativas foram atendidas e até superadas, já que os manos incrementaram novos elementos para o som deles consolidando ainda mais a sua instituição musical. Se isso fosse uma lista de melhores discos nacionais, o Racionais estaria em primeiro, mas já que meu conhecimento de música brasileira não é tão grande, fica assim mesmo. 

2- To be Kind- Swans

Como já havia falado, sons experimentais e estranhos são a minha praia. Acho que devia ser a praia de todo mundo mas não é assim que as coisas são, não pelo menos antes deste disco do Swans.

 Com um álbum extremamente experimental, com músicas extensas e INTENSAS, o grupo americano conseguiu permanecer duas semanas nas paradas da Billboard e detalhe, sem sequer tentar fazer um som mais “palpável” ao resto do público, e eu me incluo nesse resto do público, pois demorei boa parte do ano para conseguir digerir esse disco maravilhoso. 

Quando finalmente consegui, já era fim do ano e já estava na hora de fazer a lista de melhores discos de 2014!


1-                 Plowing into a field of love- Iceage

Não tinha como não colocar esse disco em primeiro, um disco cheio de tudo que eu gosto: carregado de sentimentos, experimentalismo e de músicas bem feitas. Ele não é um disco que vai agradar a todos, pelo menos não a primeira vista, mas quem gosta de pós-punk ou pelo menos parar para escutar as letras das músicas desses rapazes dinamarqueses vai perceber que é um disco muito bonito.
Quero que o pós-punk , que atualmente é pouco explorado, continue voltando e tomando a cena de assalto! Bandas como esta e Savages mostram que o estilo não morreu e ainda pode evoluir muito mais. 

domingo, 10 de agosto de 2014

Twin peaks: indie rock moleque de primeira!




Para muitos o rock and roll, a cada dia que passa morre mais um pouco. Com a música feita em computadores tomando o lugar dos riffs de guitarra é realmente difícil encontrar alguma banda que consiga se destacar por tocar um rock puro e simples.
Mas a banda Twin Peaks vem mostrando que ainda existem bandas que, não só podem tocar um rock and roll envolvente sem usar computadores, mas também fazem isso com um estilo absurdo.
A banda de Chicago já vinha fazendo alguns singles e tocando com a banda conterrânea The Orwells. Eles lançaram seu segundo álbum “Wild Onion” a alguns dias, e eu confesso que já estava bem ansioso pra ver como ficaria. Minha expectativa foi correspondida na medida certa! Músicas com muita energia e com letras que falam sobre a santíssima trindade do gênero, “sexo, drogas e rock and roll” o segundo álbum  da banda, que acabou de sair do ensino médio, e largaram a faculdade para dedicarem-se inteiramente à musica, me lembra muito os primeiros álbuns do Strokes e do Arctic Monkeys, bandas que hoje em dia são aclamadas por terem “salvado o rock and roll”, mas que, atualmente tem lançado músicas que não convencem toda a sua massa de fãs. Talvez seja a maturidade, ou talvez seja a tentativa frustrada de mudar a sonoridade da banda, vai saber.
Voltando à nova banda, as músicas que já saíram como propaganda para o disco, “Flavor” e “Strawberry Smoothie” mostram a proposta da banda, ou a falta dela, já que eles são todos jovens que estudaram na mesma escola e só querem se divertir bastante. É esse jeito moleque (hahahaha) que encanta quem vê os rapazes tocando.
Realmente, o rock and roll estava precisando de bandas com esse espírito “Do it yourself” despretensioso da banda de Chicago. Só espero que eles continuem produzindo sons de qualidade, para continuarem salvando o rock por mais tempo.

domingo, 3 de agosto de 2014

Músicas fora do eixo Estados Unidos x Inglaterra



Faz um tempo que eu venho querendo fazer alguma coisa relacionada à música e, como não nasci com talento e gosto muito de música, resolvi fazer um blog sobre essa forma de arte que me agrada tanto. Antes de começar é necessário dizer que não sou um grande conhecedor de teoria musical, nem me considero um “music nerd”, por isso se você se interessar pelos textos, esteja avisado. Ah e só mais uma informação: Só porque o blog é de música não quer dizer que não vai rolar textos sobre outras coisas, porque é assim que eu quero que ele funcione, um projeto bem caótico no maior estilo “pão com durex”. A missão aqui é tentar passar o que eu gosto pra frente, pois musica boa deve ser compartilhada!
Comecemos agora os trabalhos com o tema “Músicas fora do eixo Estados Unidos x Inglaterra”, um tema que é pertinente pois esses dois países são os maiores focos quando se discute música de qualidade e também porque escutar bandas de outros países é uma excelente forma de conhecer um pouco mais sobre a cultura daquele país. Seguem as bandas:

Sígur Rós- Islândia
Essa banda realmente me fascina, foi por causa deles que eu tentei aprender até um pouco de islandês por alguns dias, e eu ainda sei contar até dez na língua viking!
A banda possui uma sonoridade única, sendo uma das primeiras a tocar o gênero conhecido como “pós-rock”. As músicas são bastante etéreas e intangíveis, algumas vezes são instrumentais, outras são na língua nativa da banda e tem até músicas feitas em uma linguagem que foi criada pelo vocalista (isso mesmo!) chamada Vonlenska (algo como esperances). Embora o ultimo álbum da banda tenha algumas músicas mais tristes, a banda faz um estilo mais “vamos curtir um passeio pela natureza” e certamente ouvindo algumas músicas você irá se sentir em um bosque no meio do nada sem sair de seu quarto!
Ainda espero o dia que eles venham tocar no Brasil para que eu possa mostrar pra eles que eu até tentei aprender islandês pra conhecer mais sobre seu país!
Difícil escolher uma canção apenas dessa maravilhosa banda e compartilhar com vocês, mas vou arriscar e escolher “Hoppipola” porque ela define bem o que a banda é.


Iceage- Dinamarca
Se a banda de cima é uma banda alegre e dançante, o Iceage é o oposto. O grupo dinamarquês tem uma pegada mais pós-punk, à la Joy division mesmo. Sério da pra sentir o frio vindo das caixas de som quando esses caras tocam. Recomendo ouvir essas músicas fumando um charuto, bebendo um uísque enquanto assiste um prédio de dez andares pegar fogo. Brincadeira (mas se um dia acontecer já sabe o que ouvir),

A banda já lançou dois discos e a gravação deles faz com que o som pesado da banda fique mais interessante, eu não sei explicar exatamente o que acontece mas dando uma escutada provavelmente vocês vão ver do que eu estou falando... ou não.
A canção “Morals” é uma ótima pedida!


Mutantes- Brasil-sil-sil
O que dizer dessa banda que conheço a pouco tempo mas já considero pacas? Caramba, Os mutantes é uma das bandas mais geniais que já existiu nessa terra tupiniquim. Você que tem um pai roqueiro ou um tio maconheiro provavelmente já ouviu falar da banda, mas se você não conhece recomendo fortemente. Junto com Gilberto Gil e Caetando Veloso, os então jovens Sérgio Dias, Arnaldo Baptista e Rita Lee criaram um rock psicodélico nunca visto por aqui, já que na época o mais comum era musica com violão e piano. Trazendo a guitarra elétrica e distorções feitas com pedais inventados por eles mesmos a banda foi além da música brasileira, ficando conhecida no cenário mundial. Muitos afirmam que o primeiro álbum da banda se compara à músicas feitas pelos Beatles e pelo Syd Barret.
“Panis et circenses” que é uma música bem famosa e inclusive marca o início do movimento tropicália tem os arranjos feitos por Rogério Duprá, um compositor brasileiro de música clássica. Vemos no Mutantes uma colaboração conjunta de várias partes do universo musical nacional para criar algo novo e brilhante! E detalhe, tudo isso foi criado durante a ditadura militar, um período não muito alegre para o Brasil, mas muito florescente para a música nacional, mas isso é assunto pra outro texto.
The Hives- Suécia
A Suécia é mais conhecida por ter mulheres bonitas e ser a terra natal do ABBA. Mas em 1994 um grupo de amigos resolveu fazer algo diferente e assim surgiu o The Hives. A banda tem uma pegada rock de garagem e o que chama mais atenção nela é o carisma dos integrantes e a animação que eles tem ao vivo. Certamente se você for em algum show deles saberá do que eu estou falando, uma dica: não esqueça de levar roupas confortáveis e seus sapatos de dança porque não da pra ficar parado com o som deles!
Lembro que a primeira musica que ouvi deles foi “Hate to say I told you so”, lá com os meus 8 de idade. Quando eu ouvi aquele primeiro riff, não sabia o que sentia direito, mas gostava daquela sensação que a banda trazia para os meus ouvidos. Muito tempo se passou e a banda continua arrebentando! Inclusive eles vão abrir o show o Arctic Monkeys por aqui no brasil, corre lá que da tempo de comprar seu ingresso!


Pescado Rabioso- Argentina.
Nossos “Hermanos” argentinos não são bons apenas em alfajores e churrasco. Eles também tem rock and roll. A banda Pescado Rabioso não perde pra nada para as bandas gringas. Com uma pegada bem blues e folk de deixar o Bob Dylan com inveja a banda chama atenção e mostra que não é só tango que temos na terra portenha.
Uma curiosidade é que o álbum “Artaud” foi gravado quase todo pelo vocalista, Carlos Alberto Spineta, e é considerado um dos melhores álbuns argentinos já criados. Poisé pessoal, não é só o Dave Grohl que consegue fazer álbuns sozinhos.
Segue uma musica desse disco maravilhoso:


Tame Impala, Jagwar ma e a cena australiana de rock psicodélico.
A australia já exportou para o mundo muitas bandas famosas, como AC/DC, The Vines e Midnight oil. E com a nova geração não seria diferente, só que o interessante é que no país está surgindo uma cena psicodélica muito interessante. Tame Impala, banda da cidade de Perth, que é cheia de parques e bosques, faz um som psicodélico mais revival, com músicas extremamente trabalhadas e cheias de efeitos saídos diretamente do Woodstock; já o Jagwar ma, que é uma banda que fica na metrópole Sydney já tem uma proposta mais eletrônica, talvez justamente por ser de uma cidade maior,com uma espécie de “acid house” que lembra muito as bandas da cena de Madchester.
Embora tenham sonoridades semelhantes as bandas estão em cidades bem distantes,  cidades essas que possuem características que, certamente influenciam as suas músicas, mesmo assim as bandas conseguem se comunicar musicalmente muito bem. Existem muitas outras bandas nessa cena fértil da Austrália, mas por agora, fique com essas duas:


 
Stromae- Bélgica
Quem nunca ouviu, e até tentou cantar, aquela música chiclete “Alors on danse”? Poisé, a música é em francês, mas é de um belga que tem várias outras músicas chicletes em seu repertório. O rapaz já foi rapper, mas hoje em dia adota um estilo mais pop, com um apelo maior ao público.
Com visuais muito bacanas e letras irônicas, o belga aborda vários assuntos polêmicos, como relacionamentos problemáticos e a ausências dos pais na criação dos filhos. Ouça uma outra música ai e veja o que você acha!


Buena Vista Social Club- Cuba
Cuba é bem famosa historicamente por causa da Revolução Cubana de 1956. Mas antes desse fato histórico, poucas pessoas sabem como se vivia no país. Na sociedade cubana pré-revolução havia bastante discriminação racial. Clubes sociais espalhados por toda a cidade, só eram frequentados por sua comunidade, fosse ela de negros ou de brancos, forasteiros não eram bem vindos.
 Foi em um desses clubes sociais que vários músicos virtuosos se encontravam para tocar, sem muita pretensão, nos anos 40 e 50. O clube fechou, mas o som dos caras fez bastante sucesso e no final dos anos 90 o diretor alemão Wim Wenders resolveu fazer uma gravação sobre o famoso “Clube social da vista bela” e seus músicos habilidosos. O documentário também virou um cd e a banda passou a se apresentar mundialmente.
Se você gosta de música latina e de história, esse álbum icônico é, definitivamente, uma boa pedida.